Tuesday, 10 May 2011

D29 (2) - O Chalet da Condessa D'Edla

O Chalet da Condessa D'Edla foi recuperado e inaugurado hoje.
Uma verdadeira Casa da Floresta...


O Chalet situa-se nos Jardins da Pena, em Sintra. Foi destruido em 1999 por um incêndio. Devido à falta de verbas ficou ao abandono por muito tempo, degradando-se ainda mais, ficando lançado ao tempo e aos usos destrutivos de quem por lá passou e não respeitou ou reconheceu o seu valor.

Agora foi recuperado graças àqueles que defendem o nosso Património com orgulho e garra.

Está maravilhosamente fiel à construção inicial e é uma proposta a considerar para um passeio durante o fim de semana.


Sobre a Condessa D'Edla, Elise Hensler (suiça-alemã) , foi a segunda esposa de D. Fernando II, uma mulher das Artes, actriz e cantora. Ela própria projectou o Chalet, no meio dos Jardins da Pena, local onde o casal se refugiava devido à paixão de D. Fernando II por botânica.

Tenho uma certa empatia pela Condessa D'Edla, por várias razões, uma delas e a principal é o facto de ter deixado as artes por amor, sujeitando-se ao título de "quase rainha", mesmo defendendo e contribuindo para Portugal como pessoa culta que era e como esposa de D. Fernando II, deixando-se cair no esquecimento.

Hoje poderá ser recordada numa bela visita ao seu Chalet.


:)

 Fotos: Chalet da Condessa   -  Parques de Sintra
Condessa  D'Edla   e D. Fernando II - Wikipedia




Para os mais curiosos deixo aqui um pequeno tributo do Diário de Notícias à Condessa D'Edla dado ao lançamento do livro sobre ela, no ano de 2006.

Foi uma relação de amor maior do que a própria vida a que construiu com um homem de excepção - D. Fernando II, de quem foi segunda mulher -, com as artes, com a criação de jardins em praticamente todos os lugares onde viveu. Uma relação de rara afinidade que uma campanha brutal, mesmo no quadro da mais violenta tradição polemista do Portugal de Oitocentos, procurou incessantemente destruir.
Não o conseguiu, mas ficaram feridas, entre elas o longo e inexplicável esquecimento a que Elise Hensler foi votada pela historiografia portuguesa. Até há pouco: reconstituíndo, fragmento a fragmento, o extraordinário percurso desta mulher, Teresa Rebelo, antiga jornalista da RTP, deu à estampa Condessa d'Edla - A cantora de ópera quasi rainha de Portugal e de Espanha (1836-1929), biografia esta semana lançada no Teatro Nacional de S. Carlos.
O "lugar certo, depois de Sintra", como afirmou Zita Seabra, da Alêtheia Editores, para o lançamento de "uma obra que merecia ser editada, tal como a Condessa d'Edla merecia há muito uma biografia". Não apenas na perspectiva da mulher que se tornará o "pilar da existência de D. Fernando" após um período trágico de sucessivos lutos, mas "também pelos seus méritos próprios", como frisou, por seu turno, o musicólogo Rui Vieira Nery.
Nomeadamente "pela coragem desta mulher que enfrenta um muro de preconceito difícil de vencer, rodeando-se de espaços de beleza e de paz". E que formará, ao lado de D. Fernando, "um dos mais importantes pólos de animação cultural e artística do Portugal de Oitocentos". "Animando a ideia de preservação do património, protegendo artistas" - Viana da Mota e Columbano, desde logo -, "num olhar inteligente e sensível".
As razões do longo esquecimento a que a Condessa d'Edla foi votada serão várias, mas uma delas tende a sobrepor-se: como recordou Rui Vieira Nery, "não há, na historiografia portuguesa, uma grande tradição biográfica. Há sempre o olhar da estrutura, do tempo longo, e escapam-nos as pessoas, com os seus percursos individuais irrepetíveis". Neste particular, bastará lembrar como, à parte contributos dispersos e duas obras-chave, de Ernesto Soares e de José Teixeira, o próprio D. Fernando não tem, ainda hoje, uma biografia, apesar do muito que Portugal lhe deve."E, no entanto, frisou ainda Vieira Nery, a "história individual é também uma chave para a história social".
Na vida desta mulher que facilmente poderia ter partido em face da sua longa viuvez há também uma chave: o seu amor por Portugal, onde ficou até ao fim. Encimado por uma réplica da Cruz Alta da Serra de Sintra, o seu jazigo nos Prazeres encerra, aliás, essa mensagem- uma vez mais, maior que a própria vida.


1 comment:

Joana said...

Tens um selo no meu blog :P

Beijinhos